Barbearia do Sô Nilo

Na Rua do Fundão, existiu a Barbearia do Sô Nilo. Num tempo em que não havia Televisão, à noite, após uma jornada de trabalho, reuniam-se diversos músicos e cantores. Os pobres mortais paravam para escutar.

Além do próprio dono do estabelecimento, aparecia sempre o Sr. Odilon Reis , exímio no violino , violão , cavaquinho ou qualquer instrumento de sopro, principalmente o trombone de vara. A voz de Jeová, ecoava pela Rua do Fundão, lembrando o Vicente Celestino. O Landinho Estulano, no afoxé e cantando. Sô Lau e o Vicente do Dario, utilizando o Pandeiro e Voz.

Quando de passagem pela cidade, por residir no Rio de Janeiro, José Occhi ( BIJICA ) dava a sua canja, cantando como se fora um Orlando Silva.

Outro que marcava presença era o Zé do Fio (BARÃO) , que cantava, voz tonitruante, com emoção.

Devido a uma vida nômade, hippie numa época que ainda não existia este termo, comparecia, por vezes, a estes colóquios musicais, o eterno apaixonado; Zé Manga Rosa, que fazia malabarismos com o Violão. Compôs um samba belíssimo, GATO PRETO, apesar de uma letra psicodélica.

Segundo declaração do saudoso Sô Nilo, em 1.972 ,numa conversa descontraída com o Paulo Emílio ( da D. Nadir ) Simões, José Geraldo da Silva ( Zequinha do Pedro Dias) e Ildefonso ( Dé do Zizinho ) Vieira , o maior violonista da história de Guidoval foi o Sr. João Queiroz. A ele, o Sô Nilo compôs um lindo "chorinho" com o nome de "QUEIROZ DO PINHO".

Ensinou música a muitos guidovalenses, inclusive ao seu filho de criação, o Mário Lúcio, um excelente saxofonista.

Gostava de contar a história de dois de seus alunos, o Domingos Coelho da Silva e o Fabiano do Sô Manezinho. Um enciumado do outro, no aprendizado do violão. A eles dedicou o "chorinho" DESPEITADO.

Na década de 70, Sô Nilo mudou-se para Belo Horizonte, passando a residir no Bairro Dom Bosco. Não deixou de lado, contudo, o seu amor pela música. Intercalava o corte do cabelo e a barba de um freguês, com os sons de seu violão, banjo ou violino. NINGUÉM NUNCA RECLAMOU DAS INTERRUPÇÕES.

Na foto abaixo, a Jazz Sapeense onde aparecem os músicos : Zé Mineiro, Zé Negueta, Francisco ( parente da Gelza Baptista) , José Mendonça, Piloto (pai do Raimundo Francisco - Tilúcio), Odilon Reis, Álbero Cattete Campos e Petronilo Silva (Sô Nilo).